Os tutsis que
sempre tiveram o poder depois que os belgas foram embora repugnavam os
trabalhos agrícolas já os hutus formavam
o essencial da população eram camponeses em principio, havia uma permeabilidade
entre os grupos através do matrimonio a esse respeito assinala que as tradições
da região africana indicam que mais que uma divisão étnica, a divisão entre os
pastores e agricultores. Em Abril de 1994 os lideres extremistas da maioria
hutu, em Ruanda iniciaram uma campanha de extermínio contra a minoria tutsi. Em
apenas cem dias cerca
de 800 mil pessoas foram massacradas e centenas de
jovens foram violentadas o genocídio começou quando a radio RTLM a radio do
poder hutu deu uma noticia em que seu presidente tinha sofrido um atentado
pelos tutsis então todos os hutus junto a milícia Interahamwe um grupo de hutus
que assassinam todos os tutsis de Ruanda. Mais de 500.000 pessoas foram mortas.
As atrocidades envolveram também os religiosos. Muitos
padres, freiras, pastores e bispos tomaram o seu partido em ambos os lados.
Pelo menos 300 freiras foram mortos por serem tutsis ou porque estavam ajudando
os tutsis. No filme Hotel Ruanda Paul Rusesabagia gerente de um hotel de uma
empresa belga em Kigali, capital de Ruanda. Paul Rusesabagina pertence ao grupo
étnico hutu, e em 1994 durante perseguição aos tutsis Rusesabagina abrigou
1.200 tutsis no Hotel Ruanda local em que trabalhava. Num ato de extrema
coragem e compaixão, Paul Rusesabaginha fazia todos os esforços possíveis para
proteger os tutsis do genocídio que matou mais de 1 milhão de pessoas. Com a
ausência de tropas internacionais, os
tutsis tinham apenas o hotel para se refugiarem, local protegido através de
pagamento de suborno para a policia, realizado por Paul Rusesabagina. O
genocídio foi amenizado com a formação de grupos de guerrilheiros tutsis.
Uma frase
que Paul Rusesabagina que espero que todos entendam.
“Nós desejamos
informa-lo de que amanhã seremos mortos juntamente com nossas famílias”
Durante 100 dias, o mesmo número de dias que durou o
Genocídio de mais de um milhão de ruandeses Tutsi e Hutu moderados, o Ruanda
comemora mais um aniversário de um dos eventos mais terríveis do século XX.
Na noite de 6 para 7 de Abril de 1994, na sequência
do abate do avião onde seguiam, o então Presidente do país, Juvénal Habyarimana
e o seu homólogo do Burundi, que regressavam da Tanzânia onde tinham
participado em negociações de paz com rebeldes Tutsi, o Ruanda (e o Burundi,
com a mesma violência e consequências trágicas, ainda que em menor escala)
viu-se imerso num período de terror ao longo do
qual se tentou exterminar uma parte da população,
perante o silêncio da comunidade internacional, que assistiu de braços cruzados
à escalada da violência. Desde essa data as denominações "Hutu" e
"Tutsi" tornaram-se familiares para muitas pessoas que assistiam
incrédulas, aos acontecimentos, que a maioria dos órgãos de comunicação social
afirmava terem origem em hostilidades tribais. Mas é demasiado simplista
rotular de "tribalista" um conflito que tem origens muito mais
remotas e complexas e cujas responsabilidades são partilhadas por vários
atores. Expressa bem essa necessidade de olhar para o Ruanda de hoje, quinze
anos depois do Genocídio.
E se há várias coisas que desconhecemos ou sobre as quais
construímos conhecimentos errados relativamente aos eventos que aconteceram há
15 anos, há mais coisas ainda que desconhecemos sobre a atualidade deste país.
Em primeiro lugar é fundamental desconstruirmos (nós e os próprios) a ideia de
que Hutu e Tutsi são tribos/etnias distintas. Os dois grupos pertencem à mesma
nação e partilham a mesma língua, religião e sistemas de clãs e de parentesco.
Aliás, os dois grupos também não estão confinados ao território que é hoje o
Ruanda, pois até 1962, altura em que se deu a independência do Burundi, estes
dois países constituíam um único território colonial sob controlo da Bélgica. A
divisão entre os dois grupos foi sempre, sobretudo, de ordem social,
considerando-se Tutsi (cerca de 15% da população) todos aqueles que estavam
mais próximos do Rei e que portanto constituíam uma espécie de aristocracia,
que pela sua posição social privilegiada detinha mais poder, armas, terras e
gado. Os Hutu eram (e são) tradicionalmente agricultores em terras governadas
pelo Rei Tutsi, apesar de haver algumas áreas Hutu independentes.
Um dos principais instrumentos usados para atacar de forma
sistemática os Tutsi durante o Genocídio
foi o Cartão de Identidade que distinguia a origem Tutsi, Hutu (pigmeu) dos
indivíduos. Este, significava uma verdadeira sentença de morte para qualquer
Tutsi pois permitia a sua identificação, ao mesmo tempo que facilitava o
distanciamento entre os assassinos e as suas vítimas. Segundo os testemunhos de
vários sobreviventes, os documentos eram cuidadosamente recolhidos após o
assassinato dos portadores e entregues aos comandantes dos massacres que os
usavam para determinar o número de vítimas.
Estes cartões de identidade foram instituídos em 1933 pela
Bélgica, que os introduziu precisamente para criar uma divisão social
artificial, por forma a manter o controlo da elite Tutsi, através da qual
governava a colónia. Durante vários anos tentaram justificar racialmente a
diferenciação destes grupos mas, não tendo conseguido, acabaram por se basear
na diferenciação económica passando a definir por "Tutsi" qualquer
proprietário de 10 ou mais cabeças de gado. Desta forma institui-se a
segregação mas também a impossibilidade de mobilidade social. A grande maioria
da população, Hutu, perdeu assim direitos de cidadania e representatividade
política e social, desenvolvendo um movimento de resistência que foi
brutalmente reprimido nos anos 40, obrigando milhares de pessoas a refugiar-se
no Uganda. Perante uma crise social cada vez maior e contestação por parte dos
Hutu e um crescente sentimento nacionalista por parte dos Tutsi urbanos de
classe média, a Bélgica resolve sair de cena, garantindo a independência e a
realização das primeiras eleições livres, em 1961, e encorajando um ambiente
violento como forma de desviar as atenções das suas próprias responsabilidades
no cenário de tumulto social em que abandona o país.
Nos anos a seguir à independência tanto no Ruanda como no
Burundi verificou-se a intensificação da segregação política e social entre os
dois grupos, facto que nos anos 90, perante uma crise económica extrema
(originada pela enorme dependência agrícola - 94% da população - da produção de
café na altura em que os preços deste produto entram em colapso e o mercado é
liberalizado, suspendendo-se as cotas de exportação até aí existentes) que
aumentou a fome, a pobreza e as doenças criou as condições para a profunda
crise social em que estes países estavam mergulhados no dia 7 de Abril de 1994.
Os traumas psicológicos que ainda hoje assombram os
sobreviventes são difíceis de avaliar, mas outras consequências do Genocídio,
como os 613 mil órfãos com menos de 14 anos registados em 2004, apresentam
números impressionantes.
O desafio de garantir a reconstrução, reconciliação e
estabilidade social era há 15 anos extraordinário, no entanto, hoje em dia o
Ruanda é um modelo de desenvolvimento e uma referência para os países vizinhos.
Várias estratégias desencadeadas ao longo dos últimos anos estão na origem
deste sucesso. Desde logo, em 1996, a abolição dos Cartões de Identidade com
referência à suposta pertença "étnica" constituiu um marco importante
que assinala uma nova fase na vida do país, reconhecendo os mesmos direitos a
todos os cidadãos e desvalorizando o seu grupo social de origem. Mas, para
atenuar o sofrimento dos que sobreviveram ao genocídio e restaurar a confiança
nas instituições sociais, nomeadamente na justiça, introduziu-se, em 2001, o
sistema judicial tradicional que tratou de cerca de 1,5 milhões de casos de
suspeitos de participação no Genocídio. O novo governo também contribuiu
fortemente para o alívio da tensão social introduzindo um sistema de liderança
descentralizado e representativo dos diferentes grupos sociais em todos os
níveis políticos e, em 2003, uma nova constituição (elaborada após referendo)
que institui um limite de dois mandatos presidenciais, assim como a
institucionalização da partilha do poder, a impossibilidade de o Presidente da
República e de o Presidente da Assembleia serem do mesmo partido e a proibição
de o Presidente nomear chefes de governos.
Em termos económicos os progressos são impressionantes. A
indústria do turismo tem tido um crescimento notável e a aposta do governo na
criação de infraestruturas tem atraído o investimento e a ajuda estrangeira.
Segundo o Ministro das Finanças, em declarações recentes, o PIB do país cresceu
6% em 2008 e regista uma optimista perspectiva de crescimento. O Ruanda
pretende também impor-se como um exemplo de desenvolvimento tecnológico na
região prevendo construir, até ao final deste ano, uma rede de fibra óptica que
vai ligar 30 distritos do país. Fundamental para o desenvolvimento económico
foi a total reestruturação do sector agrícola, de acordo com as características
locais (desadequadas para a agricultura intensiva), com grandes progressos
realizados no sector do café e do chá, aumentando a produção e a exportação dos
produtos.
Igualmente notável é a transformação registada na capital,
Kigali, que deixou de ser uma das cidades mais poluídas, para ser considerada
hoje, pela Habitat Internacional, uma das cidades mais limpas e seguras de
África, ao que não é alheio um enorme esforço de educação ambiental que reduziu
significativamente o uso de plásticos e a poluição.
O papel do atual presidente do país é incontornável quando se
trata do desenvolvimento do Ruanda pós-Genocídio e, mesmo os críticos mais
duros, que o acusam de se aproveitar dos acontecimentos do passado para manter
um regime de partido único ou de contribuir para a instabilidade de alguns
países na região, não podem negar a evolução registada nos últimos anos.
Tudo indica que os ruandeses estão a trilhar um novo caminho,
juntos, deixando cada vez mais para trás os episódios terríveis do passado. No
entanto, na eleição dos seus representantes ainda conta sobretudo a sua
pertença social e não os ideais políticos ou as propostas legislativas. Os
ruandeses Tutsi e Hutu já podem casar (e alguns fazem-no) e têm os mesmo
direitos, mas a maioria continua a viver ignorando o outro grupo e
estranhando-se. Ainda é normal acrescentarem imediatamente a seguir à
nacionalidade a denominação Hutu ou Tutsi e vemos com mais facilidade cidadãos
Hutu do Ruanda e do Burundi a conviver entre si, assim como Tutsi do Ruanda e
do Burundi, do que uns com os outros nos seus próprios países. A democracia é
um processo lento e no Ruanda tem apenas 15 anos. Está em plena adolescência.
Talvez daqui a mais alguns anos, quando atingir a maturidade, o peso das ideias
e dos projetos políticos seja mais forte do que o peso das divisões sociais
Os tutsis que
sempre tiveram o poder depois que os belgas foram embora repugnavam os
trabalhos agrícolas já os hutus formavam
o essencial da população eram camponeses em principio, havia uma permeabilidade
entre os grupos através do matrimonio a esse respeito assinala que as tradições
da região africana indicam que mais que uma divisão étnica, a divisão entre os
pastores e agricultores. Em Abril de 1994 os lideres extremistas da maioria
hutu, em Ruanda iniciaram uma campanha de extermínio contra a minoria tutsi. Em
apenas cem dias cerca
de 800 mil pessoas foram massacradas e centenas de
jovens foram violentadas o genocídio começou quando a radio RTLM a radio do
poder hutu deu uma noticia em que seu presidente tinha sofrido um atentado
pelos tutsis então todos os hutus junto a milícia Interahamwe um grupo de hutus
que assassinam todos os tutsis de Ruanda. Mais de 500.000 pessoas foram mortas.
As atrocidades envolveram também os religiosos. Muitos
padres, freiras, pastores e bispos tomaram o seu partido em ambos os lados.
Pelo menos 300 freiras foram mortos por serem tutsis ou porque estavam ajudando
os tutsis. No filme Hotel Ruanda Paul Rusesabagia gerente de um hotel de uma
empresa belga em Kigali, capital de Ruanda. Paul Rusesabagina pertence ao grupo
étnico hutu, e em 1994 durante perseguição aos tutsis Rusesabagina abrigou
1.200 tutsis no Hotel Ruanda local em que trabalhava. Num ato de extrema
coragem e compaixão, Paul Rusesabaginha fazia todos os esforços possíveis para
proteger os tutsis do genocídio que matou mais de 1 milhão de pessoas. Com a
ausência de tropas internacionais, os
tutsis tinham apenas o hotel para se refugiarem, local protegido através de
pagamento de suborno para a policia, realizado por Paul Rusesabagina. O
genocídio foi amenizado com a formação de grupos de guerrilheiros tutsis.
Uma frase
que Paul Rusesabagina que espero que todos entendam.
“Nós desejamos
informa-lo de que amanhã seremos mortos juntamente com nossas famílias”
Durante 100 dias, o mesmo número de dias que durou o
Genocídio de mais de um milhão de ruandeses Tutsi e Hutu moderados, o Ruanda
comemora mais um aniversário de um dos eventos mais terríveis do século XX.
Na noite de 6 para 7 de Abril de 1994, na sequência
do abate do avião onde seguiam, o então Presidente do país, Juvénal Habyarimana
e o seu homólogo do Burundi, que regressavam da Tanzânia onde tinham
participado em negociações de paz com rebeldes Tutsi, o Ruanda (e o Burundi,
com a mesma violência e consequências trágicas, ainda que em menor escala)
viu-se imerso num período de terror ao longo do
qual se tentou exterminar uma parte da população,
perante o silêncio da comunidade internacional, que assistiu de braços cruzados
à escalada da violência. Desde essa data as denominações "Hutu" e
"Tutsi" tornaram-se familiares para muitas pessoas que assistiam
incrédulas, aos acontecimentos, que a maioria dos órgãos de comunicação social
afirmava terem origem em hostilidades tribais. Mas é demasiado simplista
rotular de "tribalista" um conflito que tem origens muito mais
remotas e complexas e cujas responsabilidades são partilhadas por vários
atores. Expressa bem essa necessidade de olhar para o Ruanda de hoje, quinze
anos depois do Genocídio.
E se há várias coisas que desconhecemos ou sobre as quais
construímos conhecimentos errados relativamente aos eventos que aconteceram há
15 anos, há mais coisas ainda que desconhecemos sobre a atualidade deste país.
Em primeiro lugar é fundamental desconstruirmos (nós e os próprios) a ideia de
que Hutu e Tutsi são tribos/etnias distintas. Os dois grupos pertencem à mesma
nação e partilham a mesma língua, religião e sistemas de clãs e de parentesco.
Aliás, os dois grupos também não estão confinados ao território que é hoje o
Ruanda, pois até 1962, altura em que se deu a independência do Burundi, estes
dois países constituíam um único território colonial sob controlo da Bélgica. A
divisão entre os dois grupos foi sempre, sobretudo, de ordem social,
considerando-se Tutsi (cerca de 15% da população) todos aqueles que estavam
mais próximos do Rei e que portanto constituíam uma espécie de aristocracia,
que pela sua posição social privilegiada detinha mais poder, armas, terras e
gado. Os Hutu eram (e são) tradicionalmente agricultores em terras governadas
pelo Rei Tutsi, apesar de haver algumas áreas Hutu independentes.
Um dos principais instrumentos usados para atacar de forma
sistemática os Tutsi durante o Genocídio
foi o Cartão de Identidade que distinguia a origem Tutsi, Hutu (pigmeu) dos
indivíduos. Este, significava uma verdadeira sentença de morte para qualquer
Tutsi pois permitia a sua identificação, ao mesmo tempo que facilitava o
distanciamento entre os assassinos e as suas vítimas. Segundo os testemunhos de
vários sobreviventes, os documentos eram cuidadosamente recolhidos após o
assassinato dos portadores e entregues aos comandantes dos massacres que os
usavam para determinar o número de vítimas.
Estes cartões de identidade foram instituídos em 1933 pela
Bélgica, que os introduziu precisamente para criar uma divisão social
artificial, por forma a manter o controlo da elite Tutsi, através da qual
governava a colónia. Durante vários anos tentaram justificar racialmente a
diferenciação destes grupos mas, não tendo conseguido, acabaram por se basear
na diferenciação económica passando a definir por "Tutsi" qualquer
proprietário de 10 ou mais cabeças de gado. Desta forma institui-se a
segregação mas também a impossibilidade de mobilidade social. A grande maioria
da população, Hutu, perdeu assim direitos de cidadania e representatividade
política e social, desenvolvendo um movimento de resistência que foi
brutalmente reprimido nos anos 40, obrigando milhares de pessoas a refugiar-se
no Uganda. Perante uma crise social cada vez maior e contestação por parte dos
Hutu e um crescente sentimento nacionalista por parte dos Tutsi urbanos de
classe média, a Bélgica resolve sair de cena, garantindo a independência e a
realização das primeiras eleições livres, em 1961, e encorajando um ambiente
violento como forma de desviar as atenções das suas próprias responsabilidades
no cenário de tumulto social em que abandona o país.
Nos anos a seguir à independência tanto no Ruanda como no
Burundi verificou-se a intensificação da segregação política e social entre os
dois grupos, facto que nos anos 90, perante uma crise económica extrema
(originada pela enorme dependência agrícola - 94% da população - da produção de
café na altura em que os preços deste produto entram em colapso e o mercado é
liberalizado, suspendendo-se as cotas de exportação até aí existentes) que
aumentou a fome, a pobreza e as doenças criou as condições para a profunda
crise social em que estes países estavam mergulhados no dia 7 de Abril de 1994.
Os traumas psicológicos que ainda hoje assombram os
sobreviventes são difíceis de avaliar, mas outras consequências do Genocídio,
como os 613 mil órfãos com menos de 14 anos registados em 2004, apresentam
números impressionantes.
O desafio de garantir a reconstrução, reconciliação e
estabilidade social era há 15 anos extraordinário, no entanto, hoje em dia o
Ruanda é um modelo de desenvolvimento e uma referência para os países vizinhos.
Várias estratégias desencadeadas ao longo dos últimos anos estão na origem
deste sucesso. Desde logo, em 1996, a abolição dos Cartões de Identidade com
referência à suposta pertença "étnica" constituiu um marco importante
que assinala uma nova fase na vida do país, reconhecendo os mesmos direitos a
todos os cidadãos e desvalorizando o seu grupo social de origem. Mas, para
atenuar o sofrimento dos que sobreviveram ao genocídio e restaurar a confiança
nas instituições sociais, nomeadamente na justiça, introduziu-se, em 2001, o
sistema judicial tradicional que tratou de cerca de 1,5 milhões de casos de
suspeitos de participação no Genocídio. O novo governo também contribuiu
fortemente para o alívio da tensão social introduzindo um sistema de liderança
descentralizado e representativo dos diferentes grupos sociais em todos os
níveis políticos e, em 2003, uma nova constituição (elaborada após referendo)
que institui um limite de dois mandatos presidenciais, assim como a
institucionalização da partilha do poder, a impossibilidade de o Presidente da
República e de o Presidente da Assembleia serem do mesmo partido e a proibição
de o Presidente nomear chefes de governos.
Em termos económicos os progressos são impressionantes. A
indústria do turismo tem tido um crescimento notável e a aposta do governo na
criação de infraestruturas tem atraído o investimento e a ajuda estrangeira.
Segundo o Ministro das Finanças, em declarações recentes, o PIB do país cresceu
6% em 2008 e regista uma optimista perspectiva de crescimento. O Ruanda
pretende também impor-se como um exemplo de desenvolvimento tecnológico na
região prevendo construir, até ao final deste ano, uma rede de fibra óptica que
vai ligar 30 distritos do país. Fundamental para o desenvolvimento económico
foi a total reestruturação do sector agrícola, de acordo com as características
locais (desadequadas para a agricultura intensiva), com grandes progressos
realizados no sector do café e do chá, aumentando a produção e a exportação dos
produtos.
Igualmente notável é a transformação registada na capital,
Kigali, que deixou de ser uma das cidades mais poluídas, para ser considerada
hoje, pela Habitat Internacional, uma das cidades mais limpas e seguras de
África, ao que não é alheio um enorme esforço de educação ambiental que reduziu
significativamente o uso de plásticos e a poluição.
O papel do atual presidente do país é incontornável quando se
trata do desenvolvimento do Ruanda pós-Genocídio e, mesmo os críticos mais
duros, que o acusam de se aproveitar dos acontecimentos do passado para manter
um regime de partido único ou de contribuir para a instabilidade de alguns
países na região, não podem negar a evolução registada nos últimos anos.
Tudo indica que os ruandeses estão a trilhar um novo caminho,
juntos, deixando cada vez mais para trás os episódios terríveis do passado. No
entanto, na eleição dos seus representantes ainda conta sobretudo a sua
pertença social e não os ideais políticos ou as propostas legislativas. Os
ruandeses Tutsi e Hutu já podem casar (e alguns fazem-no) e têm os mesmo
direitos, mas a maioria continua a viver ignorando o outro grupo e
estranhando-se. Ainda é normal acrescentarem imediatamente a seguir à
nacionalidade a denominação Hutu ou Tutsi e vemos com mais facilidade cidadãos
Hutu do Ruanda e do Burundi a conviver entre si, assim como Tutsi do Ruanda e
do Burundi, do que uns com os outros nos seus próprios países. A democracia é
um processo lento e no Ruanda tem apenas 15 anos. Está em plena adolescência.
Talvez daqui a mais alguns anos, quando atingir a maturidade, o peso das ideias
e dos projetos políticos seja mais forte do que o peso das divisões sociais
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